Como lidar com o BANI?

Se tem um conceito interessante que pode ajudar os profissionais, os gestores e as pessoas como um todo a se orientarem atualmente, é o do mundo BANI. De fato, essa ideia pode ser aplicada a várias áreas do saber e do mundo corporativo. Trata-se de um conceito bastante amplo, que é capaz de amarrar muitas […]

Escrito por Equipe Guia de Investimento | 19.02.2021

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Se tem um conceito interessante que pode ajudar os profissionais, os gestores e as pessoas como um todo a se orientarem atualmente, é o do mundo BANI. De fato, essa ideia pode ser aplicada a várias áreas do saber e do mundo corporativo.

Trata-se de um conceito bastante amplo, que é capaz de amarrar muitas pontas soltas e dar uma visão de conjunto, mais ou menos como a visão holística da qual tanto se fala atualmente, que consiste em não se limitar a interpretações reducionistas.

Nesse sentido, ao explorar algo como o serviço de médico domicílio, podemos analisar apenas uma solução a mais dentro de um mercado capitalista, ou propor uma abordagem humanizada, que leve em conta as demandas e carências que fizeram o serviço surgir.

Falar em uma visão que considera o elemento econômico junto com aspectos psicológicos e próprios da dignidade humana é, por excelência, um exemplo de visão holística. É nesse cenário que surge o conceito de mundo BANI.

Na verdade, essa palavra é uma sigla ou acrônimo para:

  • Brittle (Frágil);
  • Anxious (Ansioso);
  • Nonlinear (Não-linear);
  • Incomprehensible (Incompreensível).

Obviamente, não se trata de exaltar esses termos ou traços psicológicos, mas justamente de contextualizá-los, como uma etapa inicial de superação. Daí falarmos em “mundo BANI”, porque hoje o mundo é propenso a desencadear esses fenômenos.

Na verdade, o termo já existia pelo menos desde 2018, ou seja, antes da crise causada pela pandemia do COVID-19. Porém, hoje ele é muito associado a esse cenário, que acabou acelerando consideravelmente cada um dos quatro problemas.

Realmente, a mudança abrupta que a pandemia trouxe nas relações de trabalho e de comércio foi enorme. Em vários sentidos elas foram positivas, como o crescimento do e-commerce, ou de serviços como motoboy para farmácia.

Porém, há também uma consequência mais negativa e desafiadora, que toca sobretudo os aspectos psicológicos e mais frágeis de cada um de nós. Daí a necessidade de discutir o assunto, também por isso decidimos escrever este artigo.

Então, se você quer compreender melhor como lidar com os pilares do BANI, basta seguir adiante na leitura.

Contexto histórico: e o mundo VUCA?

Não é possível falar de mundo BANI sem mencionar outra sigla que antecedeu esse conceito: a sigla do mundo VUCA, que já vinha se tornando referência no mundo corporativo desde a década de 1980, ao menos nos Estados Unidos.

Na verdade, o conceito VUCA surgiu no meio militar, e só depois foi transposto para o universo dos negócios e para os desafios do mundo profissional. Isso tudo é muito comum, graças à visão que se tem atualmente de cultura organizacional.

Hoje, se você entrar em qualquer workshop, curso de desenvolvimento pessoal ou sala de palestra, vai encontrar uma série de teorias sendo aplicadas por coachings e teóricos. O que eles tentam é racionalizar um caminho de rumo ao sucesso.

Algumas dessas teorias são extraídas de cases de sucesso e superação, como do mundo do esporte, ou então do universo militar. Outras ideias vêm diretamente da academia, como estudos psicológicos, sociológicos e até históricos.

Nesse sentido é que o conceito de mundo VUCA se transportou para a rotina das empresas. Sua sigla abrange os seguintes pilares:

  • Volatility (Volatilidade);
  • Uncertainty (Incerteza);
  • Complexity (Complexidade);
  • Ambiguity (Ambiguidade).

A ideia surgiu no cenário da Guerra Fria, e refletia um pouco dos impactos que o momento causava na sociedade como um todo. Isso pode parecer um pouco desconectado do marketing e da publicidade, mas não está de modo algum.

Afinal, as marcas precisam saber como seus clientes pensam, até para poderem estar onde eles estão, e enfim, convertê-los em consumidores fiéis. Outro exemplo é a teoria das Gerações X, Y e Z, que são sociológicas, mas fundamentais para o marketing.

Então, seja para vender um produto popular, como refrigerante e computador, seja para vender um serviço como criolipólise masculina (que faz redução de gordura corporal), é fundamental compreender o macro contexto cultural e até político.

Quando falamos em mundo BANI, é no sentido de que o mundo VUCA, embora já fosse suficientemente desafiador e crítico, acabou sendo superado. De fato, a pandemia acelerou tudo isso, como já dito e conforme será aprofundado adiante.

Por dentro das razões do mundo BANI

Pouca gente sabe, mas o conceito BANI não surgiu do nada, ou como “assuntos de internet”. Na verdade, foi desenvolvido por um antropólogo americano, que também é autor e futurista, por focar seus estudos em projeções como as da Indústria 4.0.

Ele se chama Jamais Cascio e nasceu em 1966. Por volta de 2018, ele começou a perceber que os pilares da volatilidade, da incerteza, da complexidade e da ambiguidade não eram, conforme o mundo VUCA, suficientes para o momento atual.

Não que o cenário tenha mudado totalmente, ou que a antiga teoria agora seja inútil. Trata-se apenas de um complemento que aprofunda o que veio antes. É mais ou menos como comparar a noção de público-alvo com a de persona do público.

Atualmente, se uma loja quer vender anzol de pesca grande, não basta estudar o público-alvo, que delimita informações como gênero, idade e poder aquisitivo. 

É preciso traçar uma persona semi fictícia que levanta os hábitos e convicções do cliente, indo mais fundo.

O mesmo ocorre com a relação entre os conceitos de VUCA e de BANI. Ou seja, é possível começar uma análise de conjuntura com a primeira teoria, mas certamente só vai ser possível completá-la e aprofundá-la lançando mão da segunda.

Assim, as razões de ser do conceito BANI vão afirmar que não basta considerar o mundo como sendo cheio de condições “instáveis”, mas quase que caóticas. Ou ainda, não basta falar em “dificuldade de previsões”, mas em imprevisibilidade propriamente dita.

Também assim, já não se trata apenas de “ambiguidade”, mas do que é incompreensível. Não em um sentido negativo de desistência e derrotismo, é claro, mas sim, de aumento da curva de desafios.

Sobre o caos: como dominá-lo, afinal?

Quando se fala na “caoticidade” do mundo contemporâneo (e mais especificamente dos últimos anos), não está se referindo em uma desordem total, como se tudo fosse a ausência completa de instituições e parâmetros.

Na verdade, as instituições seguem firmes e o mercado como um todo só é possível graças a isso. Do contrário, não faria sentido falar em marketing, em mundo corporativo, em carreira profissional e, portanto, em lidar com o mundo BANI.

Dito isso, como, afinal, superar a fragilidade, a ansiedade, a não-linearidade e a incompreensibilidade do mundo profissional e até cultural como um todo?

Bem, a fragilidade é o primeiro passo, e só pode ser dominada quando a assumimos, nos dando conta de nossa condição real. Por exemplo, um vírus pode se espalhar pelo mundo e fazer a maioria das empresas precisarem trabalhar home office.

Portanto, esteja preparado para passar meses operando em uma cabine de estudo individual, se preciso for. Mais do que uma ideia vaga, em um futuro próximo isso deve conduzir desde testes vocacionais até critérios de recrutamento.

A questão da ansiedade também já vinha sendo tratada há um bom tempo. Mas com o cenário de isolamento social ela atingiu novos patamares, chegando a tornar-se um problema de saúde pública e, portanto, corporativa também.

O modo como ela pode impactar a produtividade das pessoas é algo de extrema importância para líderes, gestores e até profissionais da área de Recursos Humanos. Aí voltamos ao exemplo da estação de trabalho individual.

Se a ansiedade chegar ao ponto do quadro clínico, o funcionário vai poder trabalhar isolado socialmente? Há maneiras de um bom gestor compensar a distância com a ajuda da tecnologia, por exemplo, como por meio de videoconferências?

Certamente, essas questões são um caminho seguro para lidar com o mundo BANI. Tanto que já existem vários softwares voltados para esse tipo de gestão do trabalho. Novamente: eles já existiam também, mas a pandemia avançou e muito sua adoção.

O não-linear e o incompreensível

Quando o assunto é como lidar com o BANI, esses dois pilares tendem a ser os mais desafiadores. Por um lado, a falta de lógica e de linearidade nos dias correntes tende a jogar no lixo qualquer tentativa de estabelecer planos de médio e longo prazo.

Por outro lado, identificar o cenário como sendo assim pode permitir que tracemos outros tipos de planos de longa data. Dessa forma, outro modo prático de contornar a questão é redobrando a atenção em termos de cultura organizacional.

Hoje, cada funcionário precisa se ver como parte de um todo. Vencer o incompreensível passa por isso também: é preciso ser mais flexível, sincero e transparente.

No fundo, as relações humanas tendem a melhorar diante de um cenário tão desafiador. Por fim, vale dizer que o criador do conceito, Jamais Cascio, citado acima, ergue justamente essa bandeira.

Se antes imaginávamos que fazer terapias, contratar coachings e fazer um plano alimentar individualizado era o suficiente para sermos alguém melhor, nos dias de hoje é preciso ir muito além, mudando completamente nossa visão de conjunto.

Tudo isso deixa claro como é possível lidar com o mundo BANI que se ergue diante de nós. Com as dicas dadas acima, vai ser ainda mais fácil.

 

Esse texto foi originalmente desenvolvido pela equipe do blog Guia de Investimento, onde você pode encontrar centenas de conteúdos informativos sobre diversos segmentos.

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