Como garantir o sucesso do aluno em EAD

No modelo educacional brasileiro, toda a receita das universidades particulares, ainda mais na Educação a Distância, que não conta com financiamento governamental, vem dos alunos.

Escrito por Ana Elisa Viviani, Betina von Staa, Bruno Milagres | 17.12.2019

Gostou da leitura?

Compartilhe:

Cada mês a mais que o aluno permanece na instituição, é um ganho de receita, e, se ele se estiver satisfeito ao se formar, existe a chance que ele volte para uma pós-graduação ou para realizar alguns cursos livres.

Em um mundo em que será cada vez mais necessário desenvolver novas competências profissionais ao longo da carreira, ser uma instituição para a qual os alunos têm vontade de voltar é um tremendo ativo, que permitirá ter um universo infinito de alunos para atender ou vencer a concorrência.

Daí se depreende que, se uma instituição quer crescer e se manter forte no mercado, só existe um caminho: oferecer o que os alunos desejam, e isso é aprendizagem. Essa aprendizagem pode ocorrer em meio a expectativas bastante variadas: alguns alunos desejam simplesmente um diploma, outros desejam passar em concursos públicos. Há os que desejam conseguir um emprego melhor ou uma promoção. E há também os que desejam fazer pós-graduação, pesquisar, e buscar carreiras nacionais ou internacionais na academia ou no mercado.

Mesmo em meio a diferentes expectativas dos alunos, o mundo tem nos apresentado tendências sobre o que é importante aprender. Anant Agarwal, fundador e CEO da edX e professor do MIT, descreve 3 tendências da educação para o mundo de hoje (Agarwal, 2019): em primeiro lugar, a necessidade de desenvolver habilidades híbridas, visto que, cada vez mais, o mercado exige profissionais que tenham múltiplos talentos. Isso significa que, quanto mais variadas as habilidades que os alunos desenvolvem nas diferentes disciplinas de um curso, mais oportunidades de trabalho terão. Em segundo lugar, ele defende que, como as pessoas estão acostumadas a ter tudo o que precisam na ponta dos dedos, na educação elas também vão querer aprender os conhecimentos e habilidades de que precisam na hora que desejarem e poder aplicá-los imediatamente. Oferecer cursos flexíveis voltados para as demandas atuais do mercado é certamente uma expectativa do aluno de hoje. Por fim, Agarwal acredita que as habilidades mais importantes no mercado de trabalho sejam colaboração, comunicação, pensamento crítico e a capacidade de tomar decisões rapidamente. Nada disso se aprende em cursos de mera distribuição e verificação de conteúdo.

Independentemente do que se está estudando, a demanda dos alunos por aprendizagem efetiva foi observada em pesquisas junto aos alunos realizadas pelo UOL EdTech. Nelas, muitos manifestaram frustração ao perceberem que entram em um curso com vontade de aprender e terminam sem estarem aptos a fazer a prova final, isso quando não abandonam o curso no meio e perdem o gosto pela instituição em que ingressaram. Os alunos decepcionados fazem afirmações como as seguintes: “Não senti que fiz uma pós-graduação.”; “Era tão difícil organizar o tempo, que abandonei o curso”; “Eu não tinha oportunidade de interagir com ninguém.”
“Aquele curso não tinha nada a ver com os meus objetivos.”

Diante deste tipo de frustração, é difícil imaginar que os alunos retornem ou recomendem os cursos para colegas. Sendo assim, cursos em que não se aprende simplesmente não devem ser oferecidos, visto que podem afetar seriamente a reputação de uma IES. O CEO da Pearson, John Fellon, é categórico: “Essa é a geração Spotify. Os alunos pagam pelo uso. Eles não querem comprar para possuir, e eles só pagam por produtos que são diretamente relevantes para a sua formação e seus resultados” (Wan, 2018). Não vale a pena correr o risco de não oferecer a este público o que ele deseja.

Como proceder diante da necessidade de garantir que todos os alunos aprendam e percebam que estão aprendendo algo atual e relevante? Certamente, é importante que a instituição esteja próxima ao aluno, seja por meio de enquetes, de análise de dados sobre aprendizagem e retenção, e de observações dos alunos por parte de professores e tutores quando interagem com eles, ou inúmeros outros recursos. Também é possível, e muito prático, oferecer materiais didáticos e abordagens pedagógicas que ajudam o aluno a, de fato, aprender.

No caso da Educação Digital, o material e as propostas de atividades precisam ser flexíveis e fragmentadas a tal ponto que caibam na rotina de um aluno que exige conveniência. Outro fator importante é a variedade de recursos didáticos, que podem e devem aparecer em forma de textos, vídeos, infográficos, animações e o que mais for necessário para diversificar a experiência de aprendizagem e evitar monotonia. Por fim, também é necessário que se incluam no processo educacional propostas que ajudem o aluno a aprender de forma ativa, construtiva e interacional (Chi et Wylie, 2014). A modalidade passiva de, simplesmente, apresentar vídeos ou distribuir textos e depois verificar o conhecimento em testes é sabidamente a menos eficaz em termos de aprendizagem, e não atende as demandas atuais do mercado. Nas universidades de ponta do mundo, independentemente de o aluno estar em cursos presenciais ou a distância, o normal é o aluno ter acesso a toda a matéria através da Internet e só ir à aula para realizar projetos ou conversar com seu professor (UniversiaBrasil, 2019).

É possível atender alunos tão exigentes em cursos a distância? Certamente! Além da EAD oferecer a flexibilidade que os alunos de hoje desejam, sempre é possível incluir questões mobilizadoras e orientações sobre práticas de estudo que estimulem os alunos a sair da passividade e a adotar posturas mais ativas perante a sua formação. Se desejamos que eles desenvolvam atitudes mais construtivas, é necessário criar propostas que os incentivem a ter este comportamento. Por fim, para estimular a criatividade e a capacidade de inovação, é imprescindível incluir atividades que envolvam interação humana. Existem ferramentas tecnológicas que possibilitam todas essas formas de ensinar e aprender. Mesclar as oportunidades de interação com o conteúdo e com seres humanos, como colegas, professores e especialistas, já é considerado o jeito normal de aprender pelos alunos de hoje.

Não há mais limites tecnológicos para desenvolver propostas pedagógicas que envolvam alunos presenciais ou a distância no grau de profundidade que eles desejam. Com uma boa abordagem, que leve em conta as expectativas dos alunos e que promova a aprendizagem efetiva, a instituição garante o mais importante: o sucesso do aluno e a sua própria reputação!

 

Referências:
AGARWAL, Anant. “Three Education Trends That Will Revolutionize the Workplace In 2019.” Coluna de Influenciador do
LinkedIn. Jan, 2019 Disponível em: <https://www.linkedin.com/pulse/three-education-trends-revolutionize-workplace-2019-anant-agarwal/>. Acessado em 14/1/2019.
CHI, M.T.H.; WYLIE, R. The ICAP Framework: Linking Cognitive Engagement to Active Learning Outcomes. EDUCATIONAL PSYCHOLOGIST, 49(4), 219–243, 2014.
WAN, Tony. What’s Next for Pearson? (Not Buying Your Education Startup.) EdSurge, abril de 2018. Disponível em:
<https://www.edsurge.com/news/2018-07-02-why-are-we-still-personalizing-learning-if-it-s-not-personal>.
Acessado em: 14/1/2019.
UNIVERSIABRASIL. As Universidades que estão na vanguarda com o uso da tecnologia. UniversiaBrasil, jan, 2019.
Disponível em: <http://noticias.universia.com.br/educacao/noticia/2019/01/11/1163429/universidades-vanguarda-uso-tecnologia.html> Acessado em 14/1/2019
Assine agora nossa Newsletter
Receba conteúdos exclusivos do UOL EdTech na sua caixa de entrada