Adeus VUCA velho… Feliz BANI novo!

Como as mudanças impactaram as competências essenciais para a atuação dos profissionais no mercado de trabalho Todo mundo já ouviu que o ano de 2020 foi o mais disruptivo da história. Observamos acontecerem em semanas eventos naturais e biológicos que levavam meses ou anos para se propagar no passado. Ouvimos também sobre a mudança abrupta […]

Escrito por Katycia Nunes | 02.02.2021

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Como as mudanças impactaram as competências essenciais para a atuação dos profissionais no mercado de trabalho

Todo mundo já ouviu que o ano de 2020 foi o mais disruptivo da história. Observamos acontecerem em semanas eventos naturais e biológicos que levavam meses ou anos para se propagar no passado. Ouvimos também sobre a mudança abrupta e imensa que o mundo impulsionou para dar continuidade, não somente aos negócios, mas às vidas das pessoas.

O que conhecíamos e sabíamos, hoje, já não é o suficiente para lidar com a nossa realidade. O exemplo disso é a própria transformação digital, que faz parte da vida das pessoas há pelo menos cinco anos e se tornou símbolo de mudança. Agora, o termo transformação digital já se mostra menor do que as reais transformações que enfrentamos, haja vista que vivemos o momento de aceleração digital, uma potencialização exponencial da transformação.

O mesmo aconteceu com o VUCA. Ou seja, ter habilidades e conhecimentos para lidar com um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo é muito pouco e não dá conta de tudo o que precisamos adaptar, fazer, criar. O VUCA evoluiu. O mundo, agora, é BANI.

AS NOVAS NECESSIDADES EM NÚMEROS

Evidentemente que a aceleração digital traria impactos nas necessidades de atuação, competências, conhecimentos e habilidades dos indivíduos, em todos os âmbitos da condição humana. Não foi somente nós que mudamos, tudo à nossa volta mudou. A adaptação nunca foi tão emergencial e suas consequências nunca foram tão claras.

Fonte: Thriving after COVID-19: What skills do employees need? | McKinsey Global Institute.

Segundo estudo da McKinsey, sobre as habilidades necessárias pós-Covid-19, 14% da força de trabalho precisará ser totalmente requalificada, ou seja, ter 100% do seu conhecimento ressignificado para uma nova aplicação em razão de mudanças tecnológicas. 40% da força de trabalho global precisará ser parcialmente requalificada para continuar relevante para o mercado de tecnologia. Os 46% restantes não tiveram suas atividades diretamente impactadas pela aceleração digital desse período, porém, foram impactados pela mudança de cenário e de mundo. Portanto, TODAS as pessoas precisarão se requalificar, ressignificar seu conhecimento e aprender algo novo, independentemente da área de atuação ou atividade exercida, simplesmente porque habitam o planeta e estão vivenciando uma pandemia.

Essa tendência é reforçada pelo paper “Futuro do Trabalho”, do Fórum Econômico Mundial, divulgado e publicado em 23 outubro de 2020. Nele, o Fórum apresenta as 15 habilidades mais relevantes para os profissionais até 2025.

1. Pensamento analítico e inovação
2. Aprendizagem ativa e estratégias de aprendizagem
3. Resolução de problemas complexos
4. Pensamento crítico e análise
5. Criatividade, originalidade e iniciativa
6. Liderança e influência social
7.Uso de tecnologia, monitoramento e controle
8. Programação e design de tecnologia
9. Resiliência, tolerância ou estresse e flexibilidade
10. Raciocínio, solução de problemas e ideação
11. Inteligência emocional
12. Solução de problemas e experiência do usuário
13. Orientação a serviços
14. Análise e avaliação de sistemas
15. Persuasão e negociação
Fonte: Future of Jobs Survey 2020. World Economic Forum.

Percebemos que as habilidades e competências relacionadas à tecnologia, análise de dados, solução de problemas de todos os tipos, programação e UX permanecem desde a última edição, em 2018. Por outro lado, competências e habilidades comportamentais e emocionais, antes excluídas do ranking (sem perder sua importância) não somente têm muito mais foco como também retornam em posições ainda mais altas, relacionadas à necessidade de humanização dos recursos e aproximação via tecnologia.

A pesquisa especifica quais recursos digitais e de tecnologia foram os mais apontados como necessários, em curto e médio prazo, para as empresas se manterem relevantes no mercado e, consequentemente, que precisarão ser incorporados como conhecimentos adicionais pelos colaboradores, independentemente de sua área de atuação. O gráfico lista as prioridades e faz um paralelo entre o que está em andamento e o que difere da realidade mapeada. Excelente como ponto de partida para as empresas já se prepararem para as necessidades de negócio a partir de 2021.

Um último destaque que considero importantíssimo dessa pesquisa é a lista de barreiras percebidas para a adoção de novas tecnologias dentro das empresas. Essa relação é fundamental para serem traçados planos de ação concretos na direção dos gráficos anteriores, visando preparar os colaboradores, desenvolvendo habilidades e competências necessárias, inclusive no que diz respeito à utilização, gestão e ao controle de tecnologias. A pesquisa aponta que GAPs de competências no mercado de trabalho local; incapacidade de atrair talentos especializados; GAPs de liderança; compreensão insuficiente de oportunidades; falta de flexibilidade nas diretrizes regulatórias; pouco investimento; falta de flexibilidade na contratação / demissão de colaboradores; além da falta de interesse e engajamento das lideranças são os oito principais fatores da resistência a implementar novas tecnologias ou mudar o mindset dentro das empresas.

O resultado da leitura dessas informações em contrapartida com o cenário global e local de negócios é um distanciamento daquilo que as empresas precisam, os colaboradores esperam e as lideranças e os processos viabilizam. O alerta vermelho já acendeu, meus caros. E o tempo passa cada vez mais rápido.

É possível acessar a pesquisa completa do Fórum Econômico Mundial em: http://www3.weforum.org/docs/WEF_Future_of_Jobs_2020.pdf

 

SAI O VUCA E CHEGA O BANI: QUAL É O IMPACTO?

BANI é um acrônimo que significa, já diretamente traduzido para a língua portuguesa, Frágil (do inglês Britlle); Ansioso; Não linear; e Incompreensível. Pensar em volatilidade, ambiguidade, complexidade e incerteza já faz parte do nosso movimento cotidiano. De alguma maneira, fomos conduzidos, consciente ou inconscientemente, a lidar com cenários VUCA.

Os recentes acontecimentos, mundiais e locais, elevaram nossos desafios, nossas experiências e necessidades de adaptação a outro patamar.

No mundo BANI, não há garantias. Tudo pode mudar o tempo todo e aqueles que têm chance de se adaptar e sobreviver estão em constante movimento, têm alternativas e rotas de fuga. Essa é a fragilidade da nossa realidade: termos a única certeza de que nada é certo ou garantido.

As tomadas de decisão precisam ser cada vez mais rápidas, porém, serem executadas com propriedade. Daí a análise de dados e a sensação de que tudo é imediato e precisa ser decidido na hora. Não há mais espaço para “vou pensar e refletir” e todos, em qualquer área de atuação, precisam estar preparados para tomar decisões dentro do seu microuniverso. A ansiedade é um estado emocional e um reflexo das atitudes, a partir do momento que errar rápido e corrigir rápido passa a ser premissa para as empresas se destacarem no mercado.

A maior parte de nós foi moldada a pensar de forma estruturada e é impossível ser estruturado em um mundo não linear, no qual os eventos acontecem aleatoriamente. No mundo BANI, causa e efeito não estão, necessariamente, conectados. Pequenas decisões têm impactos desproporcionais e os resultados não decorrem da quantidade de esforço dedicado, e sim de outros fatores, não mapeados. Precisamos nos preparar para essa forma de operar, que exige conexões mentais diferentes daquelas que fazíamos antes.

Ter mais informações e dados disponíveis não significa encontrar uma resposta válida para todas as perguntas. Nesse novo cenário BANI, com frequência, o ruído de comunicação, as formas de operar e as respostas não lógicas passam a ser comuns, contudo nossa capacidade de entender o mundo permanece a mesma. Ou seja, pergunta e resposta, informação e realidade, não fazem mais sentido quando comparados às nossas expectativas e premissas. O que precisamos fazer? Mudar a forma de operar, transformar as perguntas e nos adaptar à nova realidade, sempre em movimento e mudança.

Os impactos no mundo BANI não se limitam à performance nas empresas, porém atingem as pessoas em níveis emocionais, intelectuais e sociais (de conexão com os outros). Essa é apenas uma das grandes diferenças e evoluções observadas.

É… 2020 vai terminando com um rastro de obstáculos, dificuldades, imprevistos e dúvidas. Mas, também, trouxe a oportunidade de evoluir, aperfeiçoar, fazer a diferença, testar (e tentar) algo completamente novo, e que não nos permitíamos antes.

Nunca os abismos e as diferenças foram tão evidentes, e nunca a oportunidade de mudança, evolução e aprendizagem foi tão concreta. Para 2021, a meta é abraçar o BANI, nos jogar na dança das cadeiras (sempre em movimento) e nos preparar, da melhor forma possível, para uma nova forma de operar, ser e fazer. A verdadeira transformação está somente começando!

 

REFERÊNCIAS

Thriving after COVID-19: What skills do employees need? | McKinsey Global Institute.

Future of Jobs Survey 2020. World Economic Forum.

Leadership Skills in an Uncertain World. Center for Creative Leadership.

Artigo “BANI versus VUCA: a new acronym to describe the world”. Stephan Grabmeier.

Artigo “Você conhece o mundo BANI?”. Whow Global Trends.

Artigo “Acabou o mundo VUCA. Conheça o mundo BANI”. Alberto Roitman no Linkedin.

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